Abertura da 8ª Turma do Projeto Vozes da Liberdade destaca empreendedorismo feminino e ressocialização
Marcando o início de mais um ciclo voltado à reintegração social de mulheres egressas do sistema penal, foi realizada nesta sexta-feira (10/04), no Fórum Clóvis Beviláqua (FCB), a abertura da 8ª Turma do Projeto Vozes da Liberdade. O encontro teve como objetivo apresentar a iniciativa e acolher as novas participantes.
O Projeto integra o Programa Um Novo Tempo (PUNT) e é executado pelo Núcleo de Apoio às Varas de Execução Penal (Nuavep), unidade responsável pela gestão de ações direcionadas à ressocialização. O Núcleo acompanha pessoas egressas do sistema penal vinculadas às 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Varas de Execução Penal, atuando diretamente na promoção da reintegração social e na redução da reincidência criminal.
“O Projeto tem um propósito não só de formação humana, mas de aprendizagem de uma profissão. Muitas pessoas já saíram daqui com outras possibilidades, construindo outros caminhos. Eu sempre digo que quando a pessoa diz o ‘sim’ para os nossos projetos, as nossas atividades, ela não está dizendo o ‘sim’ para o juiz, nem para a equipe, e sim para ela mesma, de ter uma nova oportunidade”, explica a supervisora do Nuavep, Silvana Cavalcante.
O “Vozes da Liberdade” é fruto da parceria entre o Programa Um Novo Tempo (PUNT) e o Grupo Mulheres do Brasil, com foco no incentivo ao empreendedorismo feminino como ferramenta de transformação social e reúne mulheres egressas do sistema penal, promovendo a ressocialização por meio da capacitação profissional, autonomia financeira e fortalecimento da autoestima.
Durante a abertura, a líder do Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Fortaleza, Annette de Castro, enalteceu a rede de apoio oferecida às participantes. “A partir de hoje, vocês têm ao redor de vocês 139 mil mulheres dispostas a ajudar no que for preciso. O projeto chega à oitava edição porque tivemos retorno positivo de quem já participou. Então, aproveitem essa oportunidade com comprometimento”, afirmou, ao destacar que o grupo está presente em todos os estados brasileiros e em 21 países.
Esta edição ganha um novo parceiro. O Instituto Vidas, uma organização sem fins lucrativos que oferece suporte gratuito para pessoas em situação de vulnerabilidade social, serviços gratuitos para mães e avós atípicas e suas crianças, passa a fazer parte da rede de apoio do trabalho. A fundadora e presidente do Instituto, Wilssa Dantas, informa que a iniciativa promoverá uma troca valiosa de experiências, afeto e parceria entre as participantes, resultando em ajuda mútua.
“É de extrema importância ensinar e partilhar os conhecimentos, as experiências dessas mulheres. Será uma troca, uma troca de experiência, uma troca de amor, de parceria. Então, eu consigo ver bons resultados, consigo ver essas mulheres retornando mesmo para a sociedade”, enfatizou.
Durante as atividades, as participantes têm acesso à produção e ao desenvolvimento das habilidades de crochê e macramê, atividades que podem se transformar em fonte de renda e oportunidade de inserção no mercado de trabalho. Além da formação, as mulheres recebem vale-transporte, ajuda de custo e alimentação, garantindo condições adequadas para a participação e permanência no projeto.
“Quero aprender coisas novas. É isso que eu desejo para a minha vida”, disse uma das integrantes da nova turma, Luana Lopes, de 24 anos. Outra participante, Milena Alcântara, de 28 anos, citou o impacto do projeto no processo de ressocialização. “Eu já tenho carteirinha de artesã de crochê e vou me especializar agora em renda Tenerife. Vou dar o meu melhor! Minha expectativa é acumular mais conhecimentos para o meu currículo, para a minha vida, para ajudar na minha ressocialização”, contou.
Ao todo, 25 mulheres participam desta edição do Vozes da Liberdade, iniciativa que reconhece o potencial das egressas do sistema penal e aposta na educação, no trabalho e no empreendedorismo como caminhos para a reconstrução de trajetórias e a promoção da cidadania.